09JUN

O pior ficou para trás

Há luz no fim do túnel e não é um trem vindo nos atropelar. Falo de uma nova forma de fazer varejo, com a crença de que a vacinação continue sendo a protagonista – e não a falta dela -, e de que não teremos uma próxima onda. Estamos entrando no 4o semestre de um novo tempo, com sinalizações dos diferentes governos de que não teremos mais um fechamento total dos negócios. A nossa bandeira agora é a da conscientização. É claro e evidente que todos precisam seguir com os protocolos de cuidados e que depende muito mais da responsabilidade de cada um para a economia como um todo seguir nesta retomada.

Quais as lições que ficaram ao longo deste tempo em que vivemos tantas incertezas? No varejo, especificamente, tivemos as mudanças de comportamento de compra e de consumo, a digitalização de lojistas e clientes, o atendimento exclusivo e direcionado. Isso veio para ficar. A opção do consumo local, em sintonia com o home office, contribuiu para a descentralização do comércio. O hiperlocalismo já era tendência internacional e os brasileiros entenderam que há espaço para abordar clientes e consumidores de forma focada e localizada. A atenção ao consumidor faz parte de uma filosofia empresarial compartilhada com a equipe de colaboradores. A busca pelo engajamento foi unânime, talvez essa tenha sido a palavra que mais marcou o tempo em que permanecemos reclusos.

A compra por impulso – tradicional de quem gostava de passear olhando vitrines – durante o período de restrições mais rígidas – foi trocada pela pesquisa de preços feita no sofá de casa. Mas estamos preparados para o fenômeno do Revenge Spending – que agora chega ao Brasil -, visto como uma forma de recompensar o tempo perdido. Surgiu em outros países com o alto movimento de consumidores na reabertura de grandes lojas. A vontade de comprar na loja física responderá a uma estratégia do próprio varejo em estimular esse consumo. Os consumidores estão com saudade de passear pelas vitrines, experimentar roupas, tocar nos produtos. O online conquistou seu espaço, mas a experiência do físico é difícil de superar.

Todas as tendências e expectativas estão diretamente relacionadas ao comportamento que nós – lojistas e consumidores – teremos com a atual flexibilização de operações. Para isso, convidamos que todos carreguem a mesma bandeira: da conscientização, do respeito e da coletividade. A saúde e a economia precisam andar juntas, assim como a população unida na luta para minimizar tantos efeitos de um vírus avassalador.

 

Sérgio Galbinski – presidente da AGV
presidente@agv.org.br

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