24JUN

Crise leva a criação de ferramentas de análise de riscos de crédito próprias para o período

Pessoas com contas em dia e finanças bem organizadas se viram – praticamente do dia para a noite – frente à necessidade de buscar crédito devido a cortes de salários ou até mesmo desemprego, motivado pela crise econômica que eclodiu com a pandemia de covid-19. Para demonstrar seu potencial de ser bom pagador – ou não – os bancos e outras empresas usam diversos métodos de avaliação, o que inclui o histórico do (potencial) cliente, antes de ceder o dinheiro.

Em condições econômicas mais deterioradas e incertas como a atual, o risco muda e as ferramentas existentes podem não ser as mais adequadas para medir a capacidade de pagamentos das pessoas.

Quem vai em busca de financiamento passa agora a estar sujeito a dois novos mecanismos de análise criados pela Boa Vista, empresa de informações de crédito, com “políticas mais conservadoras para assegurar a saúde financeira das empresas”. A CDL Lajeado oferece os serviços da Boa Vista através do SCPC Lajeado.

Uma das ferramentas é o Índice de Vulnerabilidade, que busca identificar a fragilidade econômica das pessoas durante o período de crise. Com valor de 1 a 6, o índice abrange toda a população brasileira e identifica padrões observados nas informações de emprego, demográficas e setoriais, com fontes de dados públicas e proprietárias.

Por exemplo, indivíduos que atuam no comércio em grandes cidades, tendem a ser avaliados com uma valoração mais crítica, enquanto profissionais concursados e que moram em municípios do interior podem ter uma classificação mais branda, do ponto de vista econômico, segundo a Boa Vista.

“Modelos de crédito olham para o passado financeiro do indivíduo, e estão relacionados ao seu histórico e pagamento. Em situações de problemas sistêmicos, como os dias de hoje, isolados, não são suficientes para identificar comportamentos futuros. O Índice de Vulnerabilidade traz uma análise setorial e demográfica permitindo ajustar o risco em função da evolução dessa crise. É muito importante para estratégias de segmentação de clientes”, explica Alexandre Xavier, diretor de produtos da Boa Vista.

A outra solução criada pela empresa é o Score de Risco Otimizado, que é um complemento ao cadastro negativo, o popular “nome sujo”, que traz uma avaliação mais conservadora do cliente e que tem como objetivo melhorar a assertividade na identificação do consumidor inadimplente no curto prazo.

A ferramenta pode ser aplicada tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica. “Para ambos os públicos criamos um algoritmo mais conservador que o habitual, cujo objetivo é minimizar o risco das decisões atuais, a fim de oferecer mais segurança ao credor na concessão de crédito, em especial nesse momento de extremas mudanças. Decisões erradas hoje custarão muito mais caro do que custavam até agora”, avalia Xavier.

Fonte: Valor Investe

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